07/12/2009

Filme - Atividade Paranormal


Só a falta de boas ideias para os filmes de terror pode justificar toda a exaltação em torno desse "Atividade Paranormal", o novo fenômeno do cinema americano que chega aos cinemas do Brasil após várias sessões de pré-estreia. Está longe de ser ruim - é, aliás, até melhor do que seu co-irmão "A Bruxa de Blair", referência obrigatória para qualquer produção com câmeras amadoras e baixo orçamento que vira sucesso instantâneo. Mas apontar "Atividade Paranormal" como "o melhor terror da década" é exagero, mesmo em tempos de "Jogos Mortais".

O diretor Oren Peli, programador de videogames de 39 anos e que debuta agora nos cinemas, diz ter passado por experiências parecidas com as que mostra em seu filme. O casal Micah Sloat e Katie Featherstone (que usam na produção seus nomes reais, outra similaridade com "A Bruxa de Blair") são as vítimas: ela se diz perseguida desde a infância por uma estranha entidade; ele decide registrar os supostos fenômenos com câmeras domésticas. O que se vê na tela são essas imagens produzidas por Micah, agora em posse da polícia de San Diego.

O grande mérito de "Atividade Paranormal" é o clima de constante medo, como se algo estivesse por acontecer a qualquer momento. Durante o dia, Micah e Katie divagam para a câmera. À noite, uma câmera estática com visão noturna mostra os acontecimentos no quarto do casal. E o público espera que a porta que se move e a luz que teima em acender e apagar sejam o prenúncio de que algo realmente impactante.

Que até acontece. "Atividade Paranormal" é digno dos elogios que vem recebendo principalmente pelo último minuto, com um desfecho até óbvio, mas brilhantemente apresentado. A questão está no que vem antes: Oren Peli cria o suspense, não apela para sustos fáceis com acordes estridentes na trilha sonora, mas também não foge do lugar comum.
O público americano adorou a brincadeira e fez de "Atividade Paranormal" o filme mais rentável da história do cinema. Custou US$ 15 mil, dinheiro que Oren Peli levantou com amigos, e rendeu até agora US$ 107 milhões, cerca de sete mil vezes o investimento. Parte desse dinheiro vai para o bolso de Steven Spielberg, que assistiu ao filme e fez campanha para lançá-lo nos cinemas. Primeiro, num circuito de 200 universidades, depois em pequenos cinemas, apoiado por uma engenhosa campanha de marketing viral.

É claro que "Atividade Paranormal 2" já está nos planos, mesmo sem o original deixar um gancho para a continuação. Mas, antes disso, Oren Peli assume "Área 51", com jovens desaparecidos, imagens encontradas pela polícia, filmadas com câmeras amadoras, só que agora com alienígenas. Tomara que tenha melhor sorte do que "Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras".

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